Crianças com discalculia de desenvolvimento têm dificuldade para alternar e otimizar estratégias de resolução de problemas matemáticos devido a alterações na atividade de redes cerebrais que controlam a atenção e a flexibilidade cognitiva, segundo um novo estudo da Universidade Stanford.
A Pesquisa
Publicado no The Journal of Neuroscience, o estudo foi liderado por Oliver Lasnick, da Universidade Stanford. A equipe recrutou 68 crianças entre 8 e 10 anos e acompanhou como elas resolviam problemas aritméticos de dificuldade variada. Os investigadores registraram quais estratégias as crianças usavam — recuperação direta de fatos, decomposição ou contagem nos dedos e mentalmente — e como essas escolhas mudavam à medida que os problemas ficavam mais difíceis.
Crianças com desenvolvimento típico percebiam rapidamente quando um problema se tornava mais complexo e adaptavam sua abordagem. Crianças com discalculia de desenvolvimento não. Elas levavam significativamente mais tempo para alternar entre estratégias, agarravam-se a procedimentos mais lentos mesmo quando atalhos mais fáceis estavam disponíveis e não melhoravam sua seleção de estratégias ao longo de tentativas repetidas.
Neuroimagem funcional revelou que essas diferenças comportamentais correspondiam a padrões distintos de atividade em redes cerebrais distribuídas envolvidas no controle cognitivo, atenção e memória de trabalho. A força e a coordenação dessa atividade neural previram quão eficientemente cada criança conseguia contar e quão bem conseguia alternar estratégias sob demandas variáveis da tarefa.
“É importante notar que este estudo também enfatiza a variabilidade individual observada na discalculia, demonstrando ainda mais que o transtorno reflete disfunção cognitiva e neural em múltiplos processos”, observou Lasnick.
A discalculia de desenvolvimento afeta cerca de 5% a 7% das crianças em idade escolar. Apesar de inteligência normal e escolarização padrão, essas crianças lutam persistentemente com aritmética, senso numérico e raciocínio quantitativo de múltiplas etapas. Os achados sugerem que a condição decorre de disfunções interconectadas na atenção, memória de trabalho executiva e flexibilidade cognitiva — não apenas de um erro isolado no processamento aritmético.
Por Que Isso Importa
Esta pesquisa reformula a discalculia como um problema do sistema de controle executivo do cérebro, não apenas com números. As habilidades cognitivas envolvidas — alternar estratégias, monitorar dificuldade, atualizar abordagens — são as mesmas que usamos no planejamento diário, na tomada de decisões e no aprendizado. Para qualquer pessoa curiosa sobre sua própria cognição, o estudo destaca que o pensamento flexível é uma capacidade mensurável e treinável. Também sugere que dificuldades matemáticas podem, às vezes, refletir questões mais amplas de flexibilidade cognitiva, em vez de falta de conhecimento matemático. Compreender essa distinção pode ajudar alunos, educadores e qualquer pessoa que trabalhe com treinamento cerebral a mirar nos músculos mentais certos.
O Que Você Pode Fazer
- Pratique alternar entre estratégias ao resolver problemas — experimente cálculo mental, depois estimativa, depois métodos escritos.
- Desafie-se com tarefas que exijam atualizar sua abordagem no meio do caminho, como quebra-cabeças com regras mutáveis.
- Preste atenção quando ficar preso a um método; teste deliberadamente uma alternativa.
- Use jogos de treinamento cerebral que visem flexibilidade cognitiva e memória de trabalho.
Fonte: Neuroscience News
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