Um enorme estudo global com mais de 214 mil idosos em 14 países revela que os fatores mais fortemente associados à demência diferem amplamente dependendo de onde você mora. As descobertas desafiam a ideia de que uma abordagem de prevenção única pode funcionar em todo o mundo.
A pesquisa
Pesquisadores liderados por Emma Nichols, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), analisaram dados harmonizados de estudos sobre envelhecimento nos Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, quatro regiões europeias, Coreia, México, China, Malásia, Brasil e Índia. Os dados foram coletados entre 2009 e 2023 por meio do projeto Gateway to Global Aging Data.
A equipe examinou 12 fatores de risco modificáveis identificados pela Comissão Lancet sobre demência, incluindo baixa escolaridade, perda auditiva, pressão alta, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, alto consumo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar e isolamento social. Eles mediram o quão comum cada fator de risco era e com que frequência eles se agrupavam.
Os resultados mostraram diferenças gritantes. Por exemplo, baixa escolaridade afetava 85,6% dos idosos na China, mas apenas 12,0% nos Estados Unidos. Índice de massa corporal elevado (obesidade) foi encontrado em 44,9% dos americanos, contra apenas 13,3% na Índia. No entanto, apesar desses contrastes marcantes, certos fatores de risco tendiam a ocorrer juntos em padrões semelhantes em todo o mundo. Riscos cardiovasculares como colesterol alto e hipertensão frequentemente se agrupavam, assim como comportamentos como tabagismo e consumo de álcool.
Nichols observou: "Fiquei menos surpresa com as diferenças e mais surpresa com algumas das semelhanças, particularmente nas formas como esses riscos se padronizam em diferentes ambientes. Isso tem implicações reais para como projetamos estratégias de prevenção." A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer de 2026 e publicada no The Lancet Healthy Longevity.
Por que isso importa
Este estudo ressalta que o risco de demência não é predeterminado — muitos fatores são modificáveis. Mas as estratégias que funcionam em um país podem não ser adequadas em outro. Por exemplo, nos EUA, lidar com a obesidade e a hipertensão pode ser prioridade, enquanto na China, melhorar o acesso à educação pode ter um impacto maior. Entender seu perfil de risco pessoal, que é moldado por onde você mora, pode ajudar você a focar nas mudanças que mais importam para a saúde do seu cérebro.
O que você pode fazer
Você pode assumir o controle de vários fatores de risco importantes a partir de hoje. Mantenha-se fisicamente ativo, mantenha a pressão arterial e o colesterol sob controle, evite fumar, limite o álcool, mantenha um peso saudável e mantenha-se socialmente conectado. Se você tem perda auditiva, considere usar aparelhos auditivos — a perda auditiva não tratada é um dos maiores fatores de risco modificáveis para demência. E continue aprendendo ao longo da vida; a educação constrói reserva cognitiva.
Fonte: ScienceDaily Mind & Brain
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