Quando você aprende uma nova habilidade ou forma uma memória, seu cérebro não está inventando uma maquinaria biológica totalmente nova. Em vez disso, ele recorre a um kit de ferramentas moleculares que carrega desde antes do nascimento. Essa é a conclusão de um estudo abrangente revisado por pares publicado na Genomic Psychiatry, liderado pela Dra. Nora Perrone-Bizzozero na Faculdade de Medicina da Universidade do Novo México.
A Pesquisa
A equipe focou em uma proteína chamada HuD, codificada pelo gene ELAVL4. HuD é uma proteína antiga de ligação ao RNA que existe há mais de 500 milhões de anos. Ela desempenha um papel crucial nos neurônios ao se ligar a RNAs mensageiros (mRNAs) específicos e regular sua função.
Para entender como a HuD opera ao longo da vida, os pesquisadores compararam dois conjuntos de alvos de mRNA — um de cérebros de camundongos no 18º dia embrionário e outro de prosencéfalos adultos. De cerca de 4.000 alvos totais, impressionantes 1.926 mRNAs foram compartilhados entre as duas idades. Cerca de 620 eram exclusivos do embrião e 1.583 eram exclusivos dos adultos.
Esses alvos compartilhados governam processos neurais fundamentais: formação de sinapses, proliferação de células cerebrais e regeneração do tecido nervoso. Moléculas-chave incluem Bassoon e gefirina (arcabouços sinápticos), Cntnap2 (ligado ao autismo) e o receptor TrkB (crítico para sobrevivência e remodelação neuronal).
“O que nos surpreendeu… foi o quanto do vocabulário do cérebro adulto já estava presente no 18º dia embrionário”, disse a Dra. Perrone-Bizzozero. “O neurônio adulto não está improvisando; ele está consultando um livro de frases que carrega consigo.”
Por Que Isso Importa
Para qualquer pessoa curiosa sobre suas próprias habilidades cognitivas, esta descoberta sugere que a capacidade de aprender e se adaptar está profundamente enraizada em sua biologia desde o início. Também destaca a importância de apoiar a saúde cerebral ao longo da vida, já que a mesma maquinaria molecular é reaproveitada para aprendizado, memória e recuperação de lesões.
O estudo também tem implicações para doenças neurológicas: ELAVL4 é um gene de risco para a doença de Parkinson, é desregulado no Alzheimer, demência frontotemporal e ELA, e seus alvos estão ligados à esquizofrenia, depressão maior e transtorno bipolar.
O Que Você Pode Fazer
Embora você não possa mudar seu manual genético, pode manter ativa a maquinaria de plasticidade do seu cérebro. Envolva-se em novas experiências de aprendizado, faça exercícios regulares e garanta sono adequado — tudo isso apoia a neuroplasticidade e a função saudável de proteínas de ligação ao RNA como a HuD.
Fonte: Neuroscience News
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